domingo, 26 de fevereiro de 2012

A SOLITUDE DO SOZINHO



Gostava da sombra
De dias nublados
Negras nuvens
Carregadas de eletricidade
Excitava-se com a tempestade
Ventania, raio, trovão
De dia dormia
Vagava na noite
Gostava da solitude
Como estado alma
Andava sozinho
Vivia sozinho
Amava-se sozinho
Aprendeu que ser sozinho
não é ser solitário
Uma noite acordou sem voz
E nem notou
Outra noite acordou sem ver
E voltou a dormir,
Achou que sonhava
Trancou as portas de casa
Fechou as janelas
Puxou o plug da tomada do mundo
com o pé, sem querer,
e nem viu
Como nada mais via, dormiu
Sentia o peito pesado
O coração calado
Mas como não via
o aço da armadura não lhe cabia
Esbarrou sem querer na clava
Sem nem saber da sua companhia
Doeu-lhe, mas sangue não mais saía
Estranhou, olhou,
Aceitou a condição, só não sabia
Há quanto tempo morria...

Vera Celms
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O trabalho A SOLITUDE DO SOZINHO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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