domingo, 19 de fevereiro de 2012

SEM PERDÃO


Trago nas mãos
o sangue de tantas historias
Tantos gritos de socorro
ainda estão nos meus ouvidos,
que deste mundo nada conhecem
Tantas visões sangrentas
assombram minhas noites
Memórias que preciso esquecer
Não conto a ninguém meus horrores
Permaneço em silencio
Todo o tempo
Foram ceifadas minhas palavras
Fecho os olhos para não ver
Mas o que me cercam são pesadelos
Meus olhos foram cegados
Jamais saí do meu leito,
mas minhas digitais estão por todo lado
Todos se compadecem de mim
Tratam-me por isento
Entendem-me em semi-coma
Nada vejo, não escuto,
Não me movo
Não posso me perdoar
Já que não me foi dado o direito
de esquecer, de apagar,
tudo o que em outras vidas fiz...
Fui algoz, torturador,
Assassino, chicoteador,
Fui eu que tantas vezes soltei a lâmina
Em torno de mim,
Tantas cabeças me olham
Pedem clemência,
Pedem perdão...


Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho SEM PERDÃO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

Um comentário:

  1. Maninha Vera,grande poema, profundo, real nos percursos da alma ao receber a ação de causa e efeito... Espetacularmente versejado, bjs da irfã MIL.

    ResponderExcluir