terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PASSANDO PELO TEMPORAL

Fim de noite,
Meus passos, ouço-os sozinhos,
Na alameda deserta, sem rumo,
O vento corre atrás de meus pés,
Ameaçando pegá-los
E brincalhão os ultrapassa no caminho
As folhas e um papelzinho perdido
Brincam de pegar rua acima
Num instante, as luzes publicas que divertiam-se
com as cenas tão infantes
Se fecham carrancudas,
Fazendo-me notar que a chuva se aproxima
Na escuridão, apressada
Uns clarões de raios se apresentam prontos
Travando entre si, um murmurinho nervoso
que amedrontador se intensifica
sem aceitar argumentação
O vento então ameaçado,
inicia uma corrida nervosa e tensa
Tudo voa pelos ares, descontroladamente
A tempestade é iminente
É um salve-se quem puder
Em todas as direções
Os poucos seres que até agora estavam ocultos
Passam a fazer parte da rota de fuga
Sem mais adiamentos,
Os primeiros avisos da chuva começam a cair
Grossas gotas de chuva,
Caem como tapas sobre a pele e a calçada...
No momento seguinte,
A chuva desaba como uma avalanche
Que escondida, se apresenta valente
A falta de luz, os clarões de raios,
Formam um conjunto assustador
O que antes era um nervoso resmungo
Já é uma gritaria de cá e de lá,
Sem nenhum controle
Os raios cortam os céus, luminosos e barulhentos
Um parece ter caído logo ali, tamanho o estrondo
Outro parece ter caído na direção oposta
Já não sei mais se procuro me esconder
Ou se procuro correr em qualquer direção
Tudo parece perigoso
De repente sinto um tranco
Acordo caída no chão,
Roupa toda encharcada, entontecida
O temporal passou
E parece ter passado por dentro de mim
A pulsação descompassada, a tontura
Mostram que fui um alvo da fúria da natureza...
Ainda sobre os escombros de mim... desabada...


VERA CELMS
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O trabalho PASSANDO PELO TEMPORAL de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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