terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SEM RETORNO

                                                                       foto GOOGLE
Como é doce
A tristeza que me toma
E me recolhe
E me faz desaguar,
Como geleira que quebra
E navegando sai
Flutuando de cais em cais
Tem caminhos calmos
Quietos,
Nada nem ninguém chega
Nem me atrai
É um passear sob as arvores
Do soturno bosque
Onde as copas das arvores
Me protegem contra invasores
Não há pássaros, nem gorgeios
É o barulho da água da chuva que cai
Sorrateira por entre os galhos
Trovoadas, ventos que me levam mais longe
Nuvens pesadas me garantem
O sossego da caminhada
Continuar aqui,
Andar sem rumo e sem direção
Sem ser lembrada
Eu e Deus...
Sozinhos, nos bosques do meu pensamento
Escondidos
Perdidos
E sem retorno...


Vera Celms
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

NO MEIO DA ESCURIDÃO

Espero você aqui,
Desde que você partiu
Sentada nos cantos do mundo
Escondida no escuro e no vazio
Um lugar para não ser reconhecida
Desde que te vi
Por sobre a fúnebre pedra vazia
Declarando solidão
Desde que entregaste a vida
A força de tuas mãos
Entendi que só o reencontraria
Na mesma porta que usou de saída
Vesti-me de negro
Para que me confundissem com as sombras
Para que fosse, (até que voltasse pra me buscar)
Alguém a se desprezar
Sentei então no canto do mundo
Abracei minha sorte
No topo de meus joelhos dobrados
E deixei que só as lagrimas,
Me dessem algum calor
Só espero que você volte
Senão partirei sozinha
A tua procura, no meio da escuridão

Vera Celms
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domingo, 11 de dezembro de 2011

TEIA AO VENTO

Será assim que se enlouquece?
Solidão,
Soturnas fantasias
Silêncio, introspecção, tristeza
A tão procurada paz
Tem se vestido de negro
É como assistir ao mundo
De uma teia de aranha gigante
Que balança, levada pelo vento
Ao som de trovoadas e sirenes
Tudo tão particular,
Tudo tão só meu...
Não há olhos nem motivos
Não há risos
Olhares que fitam, graves
Sérios
Dores que se replicam
Como sinos,
Como ideias
Será assim que se enlouquece?
Será assim que se anuncia a morte?

Vera Celms

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domingo, 4 de dezembro de 2011

CENTRO GÓTICO

Lugar solitário
Onde as coisas mortas
São espadas de si
E atacam-se
E flagelam-se
E buscam a solitude tão mórbida
Caminhos rasteiros rastejantes
Fugidios e sorrateiros
Espreitam, vigiam
Coisas quebradas,
abandonadas pela energia
Plantas mortas
Flores murchas
Barro nas pegadas dos homens
Que fogem rumo ao nada
Entendendo ser a fuga,
o único movimento
Carregando frágeis ilusões nos braços
No peito a dor da esmurrada vida
Já há tanto foragida
Terreno de invertidas forças
Onde o calor brota do chão
Em labaredas consumido
Abrindo-se em valas flamejantes
Sugando, a tudo e a todos
Para o centro,
Só não se sabe de onde...

Vera Celms

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