domingo, 27 de novembro de 2011

DOCES SOBRE A MESA

Doces sobre a mesa
Nunca mais ninguém me esperou assim
Casa arrumada,
Pétalas pelo chão
Caminho de velas até o quarto
Doces sobre a mesa de canto
Incenso,
O aparelho de som aberto,
deixando ver o nosso CD... mudo...
Só ele me espera assim
Olho e não encontro,
Não o vejo,
Chamo, sussurrando,
Talvez durma,
Pétalas sobre a cama,
E sobre o lençol de cetim
Sangue...
A poça de sangue espalhada
por todo lado
Ao lado da cama,
O pequeno punhal
Com que ele abria as cartas
que lhe enviava...

Vera Celms
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domingo, 20 de novembro de 2011

HECATOMBE

Casa vazia
Sombria, sinistra
Tilintam pela casa, velhas intenções
Lembranças mortas
Velhas assombrações, eco
Os vidros quebrados
Manchas de bolor por todas as paredes
Reboco caindo,
Trincas nas paredes úmidas
Tudo tão antigo
As ideias, as pessoas,
Nenhum desejo, nenhuma vontade,
O tempo estagnou
Os fantasmas estão na cozinha...
Sussurrando
Tramando uma nova aparição
Um novo assalto, um novo susto
Assustados, todos permanecerão na casa
Nada pode mudar
Afinal, é a história do casarão,
Ainda que não tivesse paredes
As energias se dispersaram
Tudo ficou guardado
História, objetos, evolução
Nada sai, nada entra
Os visitantes serão afastados
Cães ladinos guardam o lugar
Os cães do mundo, uivam de longe
Sem se aproximar
La dentro, tudo parou
Ca fora, olhando de dentro, o mundo já acabou...

Vera Celms

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domingo, 13 de novembro de 2011

EXPIRADA

Preciso de mais tempo
Depois do por do sol
Depois do fim do show
Depois que acabe a vida
Tantos pontos a rever
Tanto a checar
Preciso ir ao sonho de tanta gente
Eu prometi
Avisar pessoalmente
O momento de sair de cena
De encerrar a musica
De baixar a luz
De fechar as cortinas
De cortar o fio de prata
Prometo voltar antes do amanhecer
Mas não pude dizer mais nada
Minhas lagrimas rolaram todas
Fugiram de meus olhos já parados
Minha pele esfriou e arroxeou
Não escutei mais meu coração
Não pude mexer meu corpo
Num momento era eu
No seguinte aquilo que fui,
ficou ali, parado, estacionado
sem mais valia, sem graça, sem reação
Não houve acordo, nem negociação
ELA chegou de repente,
depois de eu tanto chamar
de eu tanto esperar
Fez o que devia e partiu...
Sem um minuto de atenção
Desligou tudo e me deixou do lado de fora,
Sem os controles, com o ceifeiro pela mão...

Vera Celms

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domingo, 6 de novembro de 2011

MEU FIM...

Era eu
Deitada, rodeada por flores
Vestida solenemente
Podia sentir o cheiro das flores
Tulipas amarelas, miosótis,
Folhagens,
Sobre os cavaletes
Em torno de mim: todos
Ares de oração,
Cerimônia,
Velas acesas e o crucifixo, bem perto
Alguns choramingam
A maioria em silencio absurdo
Ambiente soturno
Tristeza no ar
E eu, nada entendendo
Afinal, como eu assistia a tudo aquilo?
Sentia-me bem, aliás, muito bem
Como há muito tempo não acontecia
Mas, era eu...
Estava ali deitada
Desconhecidos...
rodeavam-me cerimoniosamente
Sentia-me cuidada
Estava eu então, assistindo ao meu velório
Consternação, cuidado
Ao longe, desafetos de uma vida,
Observada... a olhos longos
Afinal, até quando o fio de prata resistirá?
Agora sinto, que a vida continua,
Só não me permitam acordar...

Vera Celms

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