domingo, 30 de outubro de 2011

LABÉU

Defendi-o por todo o tempo
Calunias, desditos, difamações,
Tanto descrédito,
Eu confiei, por todo o tempo,
Enfrentei trovoadas, raios,
Ameaças de temporais,
até ventanias... inerte...
Enfrentei cães nervosos
Desentupiria o esgoto transbordante
dos invejosos, sem que me pedisse
Incrédula, me fiz de paisagem,
Um manequim emborrachado
Que usavas como escudo
Quanta lenha!
Apedrejada, por pouco esquartejada,
Envidracei tua imagem
para que ninguém a tocasse,
Você era meu... só meu...
O tempo não foi o bastante,
Os reflexos que vinham de ti,
não me convenceram
Precisei chegar aqui,
Pra reconhecer teu corpo,
Agora livre das culpas, como nunca!
Soube de todos os passos indevidos
De uma só vez, pelos jornais,
Na TV, não se fala em outra coisa
Vejo-te em todas as edições
Televisivas e escritas
Agora sei do quanto eras torpe
O tamanho da tua mácula
Protegi um anjo que eu amava
E reconheci o corpo de um monstro, que ocultava...

Vera Celms

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O trabalho LABÉU de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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