domingo, 4 de setembro de 2011

DOCE CRIANÇA

Resolvi te buscar,
Afinal buscamos a tantos desconhecidos
Encontramos outros tantos,
que nem procuramos
Te procurei em lares iluminados,
Em escolas edificadas
Em obras edificantes
Procurei-te pelos parques,
Atravessei campos de futebol,
Quadras de esportes, piscinas,
E não te encontrei
Atravessei Museus, Bibliotecas,
Cinemas e teatros,
Buffets, clubes, discotecas,
Também não te encontrei
Atravessei pomares, sítios, fazendas
Palácios, mausoléus, monumentos,
Perguntei então a varias pessoas,
Influentes, até autoridades...
Vereadores, deputados, prefeitos,
Governadores, diplomatas, senadores, presidentes,
Mas, ninguém soube nada dizer,
Ninguém soube, ninguém viu...
Atravessei cidades, estados, países...
Cruzei Sinagogas, Igrejas, Templos,
E lá, me falaram de orfanatos,
Mas, estavam todos vazios
Encontrei lá, caixas e mais caixas fechadas,
com um cheiro forte de deterioração,
Nada, nem ninguém mais...
Então, parei, fechei os olhos, orei,
Pedi forte ajuda ao Céu...
Abri os olhos e diante de mim uma estrada se abriu
Pus o pé a passo
E ao longo da estrada te encontrei...
CRIANÇA, quanta CRIANÇA!!!
Deitadas sobre a poeira do tempo
Deixadas pelo caminho
Uma ou outra cuidada por magras,
tão magras mãos maternas
Vigiada por olhos tão fundos
Apoiadas por paternas faces tão encovadas
Por corpos judiados, calejados e feridos
Dividindo espaço com insetos
Voadores e rastejantes seres
Disputando com eles até a umidade do olhar
Até o rarefeito ar não bastando a todos,
até por carregar pesadas pútridas partículas
A esperança por um fio, já roído
E o tempo, o único que ainda se move,
Ameaçando parar a qualquer momento
Passo, vejo e não consigo acreditar
Não quero, não posso e não vou aceitar...
A fé, vai de corpo em corpo, incansável,
Derramando uma única gota d´agua,
na língua da franzina vida,
Sou um fantasma correndo pelos caminhos
Incrédulo, estupefato, indignado, horrorizado
Não sinto ter o direito nem de chorar,
Não tenho nas mãos nem a água, nem alimento,
Que me garantiram, chegarão amanhã, (...)
Trouxe aqui, somente as coisas
Que todos aqueles que cruzaram meu caminho até aqui,
Não puderam reter para entregar de uma só vez, (...)
Minha humanidade, minha fé,
Minha palavra, em poesia e oração,
Minha energia vital,
Que dôo total e francamente ao plano espiritual
Para que os Socorristas usem como remédio,
curativo, alimento das almas tão cansadas,
por interseção de Deus...
Deixo também, minha promessa franca,
de que tudo farei, para que haja pelo menos respeito,
Por tudo aquilo que a ti não veio,
Não vamos atribuir culpas,
Mas buscar a responsabilidade, de quem possa,
Ainda que não resolver, mas indicar o caminho
Que permita reencontrar teu olhar...
Já tão distante, tão ausente, que tanto implora...
Deus, tende piedade!!! São só CRIANÇAS!!!

Vera Celms

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A obra DOCE CRIANÇA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


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