domingo, 21 de agosto de 2011

VOYEUR DE SILHUETAS

Não quero imagens
Nem cenas
Quero sugestão
Idéias a completar
Quero acompanhar as silhuetas
Atrás das cortinas
Na penumbra das janelas nuas
Olhar o formato dos corpos
e de seus atos e movimentos...
De fantasias, não suas, minhas
Quero olhar para o não evidente
E criar meus próprios enredos
Dar vida ao meu submundo
Poder sujar o casto, vê-lo imundo
Transformar descuidos em pecados
Deslizes em afrontas e pesadelos
Quero olhar as silhuetas e dar-lhes rostos
Ainda que os cubra
Por fantasia ou decreto
Na lente do meu binóculo
Uma legião de sombras marginais, desfila impune
Se esconde ou sabe-se desejada e imune
Brincam as sombras,
Brinco eu... de deus...
Invento enredos, decreto finais
O poder dos destinos no meu imaginário
Imaginem quantos não morrerão
Quantos não matarão
Quantos serão somente ignorados
Suas vidas não me importam
Me importam as oportunidades visuais
Aquilo que a lente flagrar
e a imaginação puder reinventar
Importam-me as silhuetas, nada mais...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra VOYEUR DE SILHUETAS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


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