domingo, 7 de agosto de 2011

A MENINA INSONE




A menina chorava
Todas as noites a hora de dormir
É dor de barriga, é fome, é manha
Mas, todas as noites a hora de dormir
A menina chorava
Apagavam as luzes
E a menina do sono acordava
E como a menina chorava!
Ninguém sabia explicar, nem resolver
No escuro, nem o sono encontrava
Muito tentavam; ela não conseguia adormecer
Dormia, da mamãe no colinho
Ia a menina para o berço e começava o chorinho
Diziam que era manha
Diziam que era medo
E a menina acordada, olhava pra todo lugar
Parecia alguém procurar
E não parava de chorar
Numa noite qualquer a menina não mais chorou
E todo mundo estranhou
E quando chegaram no quarto
Ao lado do seu berçinho
Havia um cachorrinho
Branquinho todo emplumado,
Enquanto a menina dormia,
vigiava, olhava pra todo lado
Todas as noites aparecia
No resto do tempo, sumia o danado
Ninguém sabia de onde vinha
Muito menos pra onde ia
Um dia, alguém ficou na espreita
Achando aquilo uma coisa suspeita
E pouco antes do clarear do dia
O cachorrinho levantava e sorrateiro saía
Seguido então, aumentou o grande mistério
O cachorrinho sumia, bem diante do portão do cemitério...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra A MENINA INSONE de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário