domingo, 28 de agosto de 2011

PROFANOS BARALHOS

Quem mais recorre a sorte
Aos profanos baralhos?
Senão os desesperados
No ato de ensandecer
Sedentos das palavras
Que perdoam
Que relevam
Que decretam
Um insano sem futuro
Um demente sem destino
Um loquaz delirante
Com quantas palavras faz-se um conselho?
Com quantas cartas traça-se um caminho?
Com quantas promessas um arrependido?
Holofotes não permitirão ver
Sacrifícios não perdoarão
Esconderijos não protegerão
O mal feito, o mal será pago
Cobrado quinhão a quinhão
Moeda a moeda,
Passo a passo...
Olho a olho, dente a dente,
Quando o barqueiro está aportado
O destino já foi traçado...

Vera Celms

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A obra PROFANOS BARALHOS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


domingo, 21 de agosto de 2011

VOYEUR DE SILHUETAS

Não quero imagens
Nem cenas
Quero sugestão
Idéias a completar
Quero acompanhar as silhuetas
Atrás das cortinas
Na penumbra das janelas nuas
Olhar o formato dos corpos
e de seus atos e movimentos...
De fantasias, não suas, minhas
Quero olhar para o não evidente
E criar meus próprios enredos
Dar vida ao meu submundo
Poder sujar o casto, vê-lo imundo
Transformar descuidos em pecados
Deslizes em afrontas e pesadelos
Quero olhar as silhuetas e dar-lhes rostos
Ainda que os cubra
Por fantasia ou decreto
Na lente do meu binóculo
Uma legião de sombras marginais, desfila impune
Se esconde ou sabe-se desejada e imune
Brincam as sombras,
Brinco eu... de deus...
Invento enredos, decreto finais
O poder dos destinos no meu imaginário
Imaginem quantos não morrerão
Quantos não matarão
Quantos serão somente ignorados
Suas vidas não me importam
Me importam as oportunidades visuais
Aquilo que a lente flagrar
e a imaginação puder reinventar
Importam-me as silhuetas, nada mais...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra VOYEUR DE SILHUETAS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


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domingo, 14 de agosto de 2011

MADRUGADA NAS RUAS

Homem que é homem não chora
Não, homem que é homem,
não acha graça da vida
Seja sóbrio – serio - meu filho, seja sóbrio...
Apaixonado? Isso não é coisa de macho
Não se garante não?
Palavra de homem não volta atrás
Dá moral não...
Deixa que elas corram atrás
Olhai ó!!! Só anda com macho
Daqui a pouco vai dizer que o cara é bonito
Tem é que andar com mulher...
Muita mulhé
Onde já se viu, roupa colorida,
Macho que é macho usa preto, branco e cinza
E isso lá é profissão de hómi?
Da moleza não!!!
Mete a mão...
Toda vez era assim...
O sangue subia, fervia...
Dava um branco, um profundo branco;
Não vi mais nada na minha frente
E quando acordei... a figura já tava aí,
Caído, todo ralado...
Sei lá o que aconteceu...
Não conheço a figura não, cara,
Por aqui? Sempre não... tô sempre sozinho.
Bravo, limpou as mãos e vazou...
Na madrugada com a cabeça sempre a milhão...

Vera Celms

imagem colhida na NET sob título HOMOFOBIA
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A obra MADRUGADA NAS RUAS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 7 de agosto de 2011

A MENINA INSONE

A menina chorava
Todas as noites a hora de dormir
É dor de barriga, é fome, é manha
Mas, todas as noites a hora de dormir
A menina chorava
Apagavam as luzes
E a menina do sono acordava
E como a menina chorava!
Ninguém sabia explicar, nem resolver
No escuro, nem o sono encontrava
Muito tentavam; ela não conseguia adormecer
Dormia, da mamãe no colinho
Ia a menina para o berço e começava o chorinho
Diziam que era manha
Diziam que era medo
E a menina acordada, olhava pra todo lugar
Parecia alguém procurar
E não parava de chorar
Numa noite qualquer a menina não mais chorou
E todo mundo estranhou
E quando chegaram no quarto
Ao lado do seu berçinho
Havia um cachorrinho
Branquinho todo emplumado,
Enquanto a menina dormia,
vigiava, olhava pra todo lado
Todas as noites aparecia
No resto do tempo, sumia o danado
Ninguém sabia de onde vinha
Muito menos pra onde ia
Um dia, alguém ficou na espreita
Achando aquilo uma coisa suspeita
E pouco antes do clarear do dia
O cachorrinho levantava e sorrateiro saía
Seguido então, aumentou o grande mistério
O cachorrinho sumia, bem diante do portão do cemitério...

Vera Celms

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A obra A MENINA INSONE de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.