domingo, 24 de julho de 2011

DA FÁBRICA


Meu mundo é mudo
Não pode falar
Não consegue nada ouvir,
Com sensações redobradas
A flor da pele
Vibrações e trepidações assustadoras
Movimentos curtos
Reações largas,
Batendo boca com o passado
Intrometido passado
Que teima em estar presente
Aqui, no centro de mim
Uma multidão dorme
Inerte, ocupa espaço
num coração que só trabalha
Povoa sonhos
Pensamentos
E nada me contam
Remotamente, alguém acorda,
Mas, longo some, volta a dormir...
Já inaugurei um cemitério no meu peito
Mas, ninguém se habilita
Grito, grito, e ninguém pode ouvir, ou
Ninguém quer ouvir
E eu, atada, amordaçada e vendada
Não consigo encontrar ninguém
Meu tato não é longo
Meus passos não me levam mais
Guardo muito bem os cheiros
Minha alegria tem cheiro de defensivo agrícola
Era o cheiro que exalava a fabrica
No bairro onde morava,
No tempo em que era feliz...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra DA FÁBRICA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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