domingo, 31 de julho de 2011

O VAGABUNDO E A APAIXONADA

Os olhinhos brilhavam
O coração galopava largo
Difícil controlar a respiração
As mãos suadas se agitavam
Seu corpo inquieto estremecia
Uma flor no cabelo
Uma boneca ainda nas mãos
Com a boca seca, não sabia o que dizer
Da noite ao amanhecer
Pensava nele e um frio tomava seu estômago
Um calor tomava seu peito
Não tinha pernas que a movesse
Paralisada, presa ao chão
Aquilo era demência, não razão
No rastro de seu perfume
A menina levitava, suspirava, transcendia
Aquilo era paixão
E ele, sabedor do que causava
Simplesmente passava
Ela cá suspirava fundo
Pelo belo vagabundo
Sabia que ela o adorava
Mas não podia suportar
Um dia se aproximou
E num beijo, a menina arrebatou
Tomou-lhe um beijo, e o coração levou
No chão, ao lado do menino corpo ensangüentado
Descansava uma faca de cozinha
Descalçou a luva e a rua subiu,
O vagabundo, sumiu!!!

Vera Celms

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A obra O VAGABUNDO E A APAIXONADA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 24 de julho de 2011

DA FÁBRICA


Meu mundo é mudo
Não pode falar
Não consegue nada ouvir,
Com sensações redobradas
A flor da pele
Vibrações e trepidações assustadoras
Movimentos curtos
Reações largas,
Batendo boca com o passado
Intrometido passado
Que teima em estar presente
Aqui, no centro de mim
Uma multidão dorme
Inerte, ocupa espaço
num coração que só trabalha
Povoa sonhos
Pensamentos
E nada me contam
Remotamente, alguém acorda,
Mas, longo some, volta a dormir...
Já inaugurei um cemitério no meu peito
Mas, ninguém se habilita
Grito, grito, e ninguém pode ouvir, ou
Ninguém quer ouvir
E eu, atada, amordaçada e vendada
Não consigo encontrar ninguém
Meu tato não é longo
Meus passos não me levam mais
Guardo muito bem os cheiros
Minha alegria tem cheiro de defensivo agrícola
Era o cheiro que exalava a fabrica
No bairro onde morava,
No tempo em que era feliz...

Vera Celms

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A obra DA FÁBRICA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 17 de julho de 2011

QUEM SOMOS NÓS?


Que monte de verdades,
cabe na concha de nossa mão,
que mantemos perto do ouvido?
Fontes mentirosas
Buscas curiosas
Quem somos nós?
Quando olvidamos fatos
Quando ouvimos boatos
Quem somos nós?
Senão um bando de sagüis treinados
Pulando saltitantes de galho em galho
Trocando o certo pelo duvidoso
Agarrando o fugaz ao prazeroso
É nadar em água rasa
Mergulhar em poças d´agua
Construir jangadas ou barcos
pra navegar, e atolar,
De tanto remar, acabar cavando
Saltar do barco pra desencalhar
E por um lapso, um descuido
Da vala a correnteza,
E lá se vai o barco, sozinho,
e você, atolado,
na correnteza a se afogar
Trocamos tudo por nada
Pagamos um preço absurdo
Damos a volta ao mundo num minuto
Pra quê?
Afinal, quem somos nós?

Vera Celms

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A obra QUEM SOMOS NÓS? de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 10 de julho de 2011

LÚGUBRE CAMINHADA

Passeio por entre as tumbas

Cemitérios em dias de inverno!

O sol brilhante, frio gélido

E a paz dos corpos adormecidos

Arrebatados pela Honorável Dama da Vida

Colhidos pelo ceifeiro de plantão

Uma moeda em cada pálpebra

E é feita a travessia

As flores a confundir o ar

Que com o vento, não sabe o que levar

Das flores frescas o olor

Das flores mortas o odor

A chama agonizante das sóbrias velas

Que queimam juntas, em maços, todas elas

Solene ambiente

Que o silencio vigia

Mudo e eloqüente

Fazendo denso o dia

Caminhar entre os iguais

Levados por tempo expirado

Cantado em versos madrigais

Por lembranças contemplado

Assim, contam-nos todos, os seus finais...

Vera Celms

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A obra LÚGUBRE CAMINHADA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 3 de julho de 2011

ENFIM, O FIM

Um verso por dia,

Vários dias e verso nenhum se fez

Semanas se passaram

Meses depois

E a história não fluía

A inspiração não voltava

Sentia-me triste, sozinha

A palavra me faltava

Falava sobre todas as coisas

Das mais ricas as mais banais

Mas aquele texto, não me inspirava mais

Rodou de um canto pra outro

Da gaveta pra mesa,

Da mesa para o sofá

E aquele texto não conseguia terminar

Reunia tantas idéias, mas não conseguia juntar

Escrevia que escrevia, sem cadência e sem rimar

A história que era tão boa, já me fazia chorar

Não entendia o que acontecia,

Sabia que ao final chegaria um dia

Tanto tempo se passou,

Tanto que o papel rolou

Que deixei a história pra lá

Idéias várias, frases soltas

Mas sabia que a história precisava terminar

Um dia acordei bem cedo,

Mal conseguia respirar

Peguei papel e caneta e comecei a rabiscar

Foi saindo letra por letra, sem titubear

Todas as histórias afinal terminadas,

Enfim, o fim, com as pálpebras já cerradas.

Vera Celms

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A obra ENFIM, O FIM de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada