segunda-feira, 13 de junho de 2011

MORTO VIVO


A respiração já é fraca
Ofego, procuro ar e não encontro
Agonizo, desespero
A luz que era pouca
Rareia embaçada e úmida
A voz não ajuda
Chamo, e nem eu me ouço
Sussurro, cochicho
Ninguém pode ouvir
o chamado de um morto
Que se sabe vivo
Mas não pode contar ao mundo
No subterrâneo, no submundo
Encardido, sujo, imundo
A densa neblina encobre meu corpo
Gelado, quase inerte, duro
Já não posso ver,
Já não posso ouvir senão o zunido
O som do próprio silencio
Que teima se sobrepor
E eu, encarnado por um fio
Sinto a tesoura do tempo
Rompendo laços, contato,
As forças, já não encontro mais
Quem sabe se ficar quieto
Consigo morrer sem notar

Vera Celms

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A obra MORTO VIVO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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