domingo, 15 de maio de 2011

CORAGEM ENFRENTADA


Paro diante da velha casa
Onde o medo se escondia
Atrás das velhas cortinas
Rasgadas, encardidas, mal fechadas
Alguém sempre espreita
atrás das velhas cortinas
Ainda hoje estão lá
Cortinas, espreitas e medos
Inquieta, penso em novamente fugir
Mas o tempo passado me faz enfrentar
Reconheço o frio no estômago
A sudorese nas mãos e pés
O olhar fixo
E a atenção a qualquer ruído
A qualquer movimento
Mas, de alguma forma
A velha casa parece convidar
Portões abertos
O jardim tomado pelo mato
E o ambiente sinistro
Parecem convidar ao enfrentamento
De um lado o enigma
Do outro, curiosos audazes
Teias de aranhas por todo lado
Galhos secos, flores mortas
Até o lixo parece afastar-se
levado pelos redemoinhos de vento
que correm rasteiros
Parado diante do portão
Sinto-me diante de um impasse
Na cena de um filme de horror
E a imaginação faz o resto
Ouço o vento uivando,
Passos no assoalho rangente
Portas batendo, maçanetas emperradas
Velhas venezianas quebradas
Vidros quebrados pelo chão,
sujos de sangue
Roupas, ali abandonadas
Gritos, choro, pavor em cada cômodo
Um corpo pútrido nas escadas
Paro na esquina, olho de longe
Mais uma vez, a cena foi abandonada
A respiração ainda presa,
Peito acelerado, dificulta o passo
Quem sabe, até nunca mais...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra CORAGEM ENFRENTADA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Magnífico poema, mana Vera, meus aplausos, bjs MIL.

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  2. Obrigado MANINHA MIL... muito beijo de VC

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