domingo, 3 de abril de 2011

UM SÓ TEMPORAL

Estrondo da trovoada

Acordou a muita gente

Tirou o sono de vários

Assustou a criançada

Que acordada teimava em não dormir

Choradeira, medo,

Tantos raios cortaram o céu

A eletricidade foi embora

A cidade ficou um caos

Semáforos apagados

Trechos alagados

Folhas por todo lado

Galhos caídos

Arvores tombadas

Carros batidos ou estragados

Natureza descabelada

Temporal, não precisa demorar

Só precisa ser bravo e decidido

E no dia seguinte vira manchete de jornal

As emissoras repetem sem parar

Os jornais da manhã chegam molhados

Encharcados, enlameados,

Quando chegam

Cidade as escuras,

Desde ontem...

Elevadores parados,

Muitos entre um andar e outro

Gente apavorada, desesperada

Chateada, desolada

Subindo o prédio pela escada

Gente cansada

Quanta solidão

É alguém que não chega

É alguém que não virá

Alguém que não virá nunca mais...

Gente que não consegue ligar

É alguém que ia e não foi

Ou atrasou tanto pra sair,

Que ficou sozinho

Um temporal só basta

Pra acabar com o sossego,

Com a noite

Com a vida da população, aflita

Desesperada, apavorada

Desconsolável e desconsolada

Com tanto estrago, com tanto prejuízo

Com tantas vidas perdidas

Em acidentes fatais,

Nas enchentes,

Nos deslizamentos

Desmoronamentos,

De um só temporal


Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra UM SÓ TEMPORAL de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário