domingo, 13 de março de 2011

TORMENTA



Quantas emoções
Não se misturam
Num grito de horror
Num olhar assombrado
Numa fisionomia indignada
Marcada
Quantas as dores
Que se resumem
Numa única gota de sangue
Ao lado de um corpo sem vida
No hematoma de uma vitima
No tormento de um alucinado
De um assustado
Ameaçado
Preso, seqüestrado
No medo de uma pessoa
Ameaçada pelo cano de uma arma
Pela violência da enxurrada
Pela devastidão de um maremoto
Pelo pavor de um terremoto
Ou um deslizamento, desmoronamento,
Por mínimo que seja,
Pela sirene que avisa o tormento
Quanto pensamento
Passa pela cabeça
De alguém que recebe um telefonema
Sinistro, oculto, anônimo
Ameaçando a vida de alguém
A troco de dinheiro
Quem já não sentiu pavor
Ao ter sua bolsa roubada,
Sua carteira batida
Seu carro arrombado, levado?
Ao ser seguido de perto por alguém
Na rua,
Sem nem saber por quem
Sem nem saber porque
De um estranho mascarado, armado
Dentro da sua casa
Imagina o horror identificado
Num repente
Por um ato da natureza
Que acaba, aniquila
Leva tudo, por que ruiu,
Na correnteza das águas,
Incendiou, explodiu
Na força dos ventos
O que estava ali num momento
E no momento seguinte,
Nada mais estava lá,
Até a vida,
De quem acabamos de olhar
De falar, de alertar sobre os perigos da vida
Quem não passou, ou viu?
Quem nunca ouviu falar?

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra TORMENTA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário