segunda-feira, 7 de março de 2011

SEPULTAMENTO COM CHUVA

Escuridão de temporal

Chuva, frio,

E o corpo acaba de descer

a sepultura,

Rodeado por chorosos companheiros

Vestidos de negro e cinza

Pela família inconformada

Guarda chuvas negros

Se misturam a plásticas capas

E a outros igualmente tristes coloridos

Certamente a alma a tudo assiste

Tão próxima,

Tão presente

Invisível, indignada, incrédula

Ladeando o corpo frio, inerte

Pálido, passivo e inexpressívo

O cheiro da terra molhada,

E das flores; coroas fúnebres, tão pálidas

O cimento já pronto para lacrar

descansa ao lado da pá que escavou,

Nesse momento a terra molhada que piso,

se confunde em chuva e lágrimas,

e flores caídas e pisoteadas

Não existe cenário mais mórbido

Mais lúgubre sepultamento

Regado a chuva,

Sonorizado por trovões e soluços

Iluminado por raios distantes

Orações e ladainhas

Alguns choram manso,

Outros anunciam a tristeza

brava e nervosamente

Inconsolável luto

Que acompanhará a todos

Ao que ali dormirá solitária e eternamente

Aos que dali levarão, na lembrança

A única imagem que não queriam ver

Vera Celms

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A obra SEPULTAMENTO COM CHUVA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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