domingo, 20 de março de 2011

ANTESSALA DO INFERNO

Contei minhas lástimas

A um barqueiro do porto

Encapuzado, sinistro, lúgubre

Não podia ver suas mãos

Não podia ver seu rosto

Escondido em sombras

Em pútridas chagas

No fundo do barco

Flores mortas,

Pisadas,

Entrei no barco lastimosa

Desconfiada

Mas não consegui silenciar

Fui logo contando tudo,

Como se fosse o preço a pagar

Pela viagem, pela travessia

O barqueiro permaneceu de costas

Durante todo o percurso

Silencioso

O cheiro de flores mortas

Se confundia com o cheiro de suor

De sangue, de umidade

Rumamos para dentro do nevoeiro

Denso, pesado,

Como se entrássemos na antessala do inferno

Assim que a nevoa gelada nos abraçou

Vi todos os meus fantasmas abraçados

Ao barqueiro do inferno

Mercador de almas...


Vera Celms

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A obra ANTESSALA DO INFERNO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

4 comentários:

  1. ...lira
    de lirios
    vinilo
    rojo jazmin
    y oro vi
    VERA en tu
    antasala mil...



    un fuerte abrazo VERA , tu amigo :



    j.r.s.

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  2. Quero distância desse barqueiro...

    Excelente poema, amiga. Parabéns.

    Beijos

    Runa

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  3. Ramon, obrigado pela visita... beijos meu amigo

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  4. Runa,
    todos querem distância desse barqueiro, até eu... beijos meu amigo... obrigado pela visita...

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