domingo, 27 de fevereiro de 2011

LAPIDES VAZIAS


Colhe-se nas lapides
A história que se contou
Vidas vividas a ermo
Outras a esmo
Vidas contadas ponto a ponto
Dia a dia
De sol a sol
Outras vividas como quem não viveu
Desatentas, escarnecidas, levadas
Nas grandes lapides
Traduzem-se algumas riquezas
Nas pequenas grandes tesouros
Diminutas fotos ao lado das datas
Contam poucos fatos,
Mas, histórias incalculáveis
Vidas inestimáveis
Perdas irreparáveis
Colhe-se nas lapides
O tempo, os rostos, os nomes
Como se cada uma fosse
o resumo da vida de cada um
Deve ser por falta de espaço
que algumas histórias não são resumidas
Detalhes tão ricos, personagens maravilhosos
Verdadeiros quebra cabeças
Cujas peças estão espalhadas
E ainda possuem vida própria
Vivem suas próprias vidas
Contam suas próprias histórias
Ali, abaixo daquela lapide, foi-se só uma peça
A história contar-se-á muito depois
Correndo de boca em boca
Juntadas; unindo uma vida a outra vida
As lapides não são leais
Pois não são leais os scripts
Tornam-se até ironias
Mentiras, escudos
Assuntos mal resolvidos
Histórias mal contadas
Medidas mal calculadas
Desfechos mal entendidos
Perdões não pedidos
Não concedidos
Declarações mal feitas
ou por fazer
Tantas vagas vidas naquelas valas vazias
Que depois de sepultadas
Com flores coroadas
Parecem tão iguais
Todas tão humanas
Parecem ali tão banais

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra LAPIDES VAZIAS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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