domingo, 20 de fevereiro de 2011

ESPECTRO



No fundo do seu espelho,
Mora o que um dia foi,
Dormente, recluso, escondido,
Franzino
Incapaz de se mostrar a luz,
No seu colo, dorme a criada serpente,
Arma letal, domada,
formatada pela sua conveniência.
Cochila tranqüilo,
Afinal, conhece a profundidade pouca
do espelho,
Navegas em poças,
Tangencia pontos distantes na sua caminhada
Reconheces o perigo do comprometimento
E não te envolves, não tem envergadura
Pula manso, sem deixar rastros,
Nem marcas
Só plaquinhas pelos caminhos,
Cancelas, por onde espias,
do subsolo, o mundo real
No fundo do seu espelho,
Alimentas a serpente
Que te devolve abundante,
A peçonha que te engoma,
sem te tocar
Mas, te mantém ferino, imortal,
Teu despreparo te prepara o futuro
Vais, por puro orgulho,
Esquecer de alimentar o animalzinho,
E creia; esquecerá,
E então descobrirá, que a imortalidade
é pra muito poucos,
e você é muito pouco,
Pergunte ao seu espelho
Antes que ele se quebre.

Vera Celms

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A obra ESPECTRO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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