domingo, 28 de novembro de 2010

TUDO ACABOU


Muito estranho,

no mínimo muito estranho

Acordar pela manhã,

Céu azul, sol, arvores,

Silencio absoluto,

Absurdo,

Assustador,

O som do silêncio no ar,

Nenhum ser andante,

Em nenhum lugar,

Nem nas ruas, nem nas casas,

Nem na sua própria casa,

Todos sumiram,

Desapareceram,

Nos ouvidos, um zunido mudo,

O mais profundo silêncio,

Nenhuma nuvem no céu,

Azul profundo,

Não há vento,

Não há pássaros,

Não há cigarras,

Não há nenhum movimento,

que não seja o seu,

Quieto, tudo quieto,

Chamar não adianta,

Não há a quem,

Absurdo,

O silêncio é absurdo,

O som da sua própria respiração,

já o incomoda,

As folhas das arvores plenamente paradas,

Calor, muito calor,

Não há água,

O ar está insuportavelmente parado,

É como viver dentro de uma estufa,

Sem ventilação,

Sem orientação alguma,

Você, só você,

O resto do mundo parou,

Sumiu, desistiu, se mudou...


Vera Celms

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