domingo, 28 de novembro de 2010

TUDO ACABOU


Muito estranho,

no mínimo muito estranho

Acordar pela manhã,

Céu azul, sol, arvores,

Silencio absoluto,

Absurdo,

Assustador,

O som do silêncio no ar,

Nenhum ser andante,

Em nenhum lugar,

Nem nas ruas, nem nas casas,

Nem na sua própria casa,

Todos sumiram,

Desapareceram,

Nos ouvidos, um zunido mudo,

O mais profundo silêncio,

Nenhuma nuvem no céu,

Azul profundo,

Não há vento,

Não há pássaros,

Não há cigarras,

Não há nenhum movimento,

que não seja o seu,

Quieto, tudo quieto,

Chamar não adianta,

Não há a quem,

Absurdo,

O silêncio é absurdo,

O som da sua própria respiração,

já o incomoda,

As folhas das arvores plenamente paradas,

Calor, muito calor,

Não há água,

O ar está insuportavelmente parado,

É como viver dentro de uma estufa,

Sem ventilação,

Sem orientação alguma,

Você, só você,

O resto do mundo parou,

Sumiu, desistiu, se mudou...


Vera Celms

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DUELOS LITERÁRIOS : Brigit - A Bruxa da Noite - por Vera Celms

Vera Celms enviou o link de um blog para você:

É UM PRAZER!!!

Blog: DUELOS LITERÁRIOS
Postagem: Brigit - A Bruxa da Noite - por Vera Celms
Link: http://duelosliterarios.blogspot.com/2010/11/brigit-bruxa-da-noite-por-vera-celms.html

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

NA CASA DO VIZINHO

Quando o problema é no vizinho,

Em ti pouco dói,

Aliás, tem coisas que só acontecem lá,

Na casa do vizinho,

Doença sexualmente transmissível,

Câncer, lepra, alcoolismo,

Amputação,

Mal de Chagas, doidera,

Sonambulismo, obesidade mórbida,

Drogas,

Enfim, tudo isso acontece lá, na casa do vizinho,

A avó do meu vizinho,

Ficou 15 anos acamada antes de morrer,

O tio do meu vizinho está em coma há meses,

Sem chance de voltar,

A filha da separada lá de cima; engravidou...

Já a filha da vizinha da minha irmã,

Coitada, foi estuprada e morta,

Já o meu outro vizinho, foi assaltado,

reagiu, tomou um tiro e fico tetraplégico,

Nossa! O menino, vizinho da rua de cima,

Meteu-se com drogas, parece um zumbi,

Disseram que já levou tudo o que podia,

de dentro de casa; gastou tudo em droga,

A vizinha da minha comadre,

foi traída pelo marido e ficou louca, também né...

Pensa bem, como essas coisas acontecem,

Em todo lugar, todo dia,

Deve ser merecimento,

Deve ser castigo,

Deve ser carma,

Não, é darma,

Mas, se for na nossa casa,

que qualquer uma dessas coisas aconteça;

afinal, coisas da vida, possível a qualquer um,

É impressionante que o vizinho,

Aquele mesmo que observa e comenta,

passa a ser um mero fofoqueiro “filho da puta”...

É impressionante como as figuras mudam de lugar!!!

Vera Celms

Contos da Meia Noite - A cabeça

domingo, 7 de novembro de 2010

GAME OVER


Abrir a janela hoje,

Como todos os dias,

Ouvindo lá de fora barulhos estranhos,

que nunca foram ouvidos,

Estado de guerra,

Jipes, tanques, armas,

Tiros para todos os lados,

Perseguição, soldados,

Trincheiras,

Luta pela vida,

Ou pela morte,

Ronda a sua janela,

o medo, a incerteza,

Da invasão,

Da sua família ameaçada,

Das suas mulheres estupradas,

Dos seus homens no campo de batalha,

Ou mortos,

De não haver água para beber,

Nem nada para comer,

A não ser o que tem vida perto de você,

Insetos, roedores, larvas,

Ou carne humana derrubada em confronto,

Nada a fazer,

Nem para mudar, nem para evitar,

Esconder-se, é só o que resta,

Ouvindo os tiros zunirem aos seus ouvidos,

sem conhecer-lhes a direção,

Visão do inferno,

O próprio inferno,

E você, parte do cenário,

Em fuga, com medo,

Atingido, ferido, morto,

Sem nem ao menos saber por que...


Vera Celms