domingo, 10 de outubro de 2010

INCAUTO


Nasceu durante a tempestade,

No quarto de numero 13,

Não chorou,

Sem sustos,

Nenhum sobressalto,

Palavras mansas lhe doem,

Crueldade lhe dá prazer,

O sofrimento próximo,

A dor palpável,

A despedida dolorosa,

A distância de alguns olhares,

Os mais ternos,

Os mais frágeis,

Os mais suscetíveis,

Os trovões e raios da tempestade,

O fazem dormir,

Olhos acesos,

Na escuridão tenebrosa,

Nenhum prazer,

Nenhum conforto,

Nenhum calor,

Criança com ares tão cortantes,

Sombrancelhas retas,

Cenho endurecido,

Sorriso tão ausente,

Mãos fortes,

Firmes,

Incomuns,

Idade tão pouca,

Sem medos,

Mazelas tantas,

Crescerá este ser

Sem qualquer piedade,

Sem conhecer a solidariedade,

Sem moral,

Sem ética,

Com a ironia estampada no olhar,

E a inverdade como argumento,

Todos entenderão por despojamento,

Realidades sem rodeios,

Ditas de uma só vez,

Duras, insolentes,

Na ausência do focado,

Ou na cara do interessado,

Com um sorriso falso estampado,

Nenhum pudor,

Nenhum censor capaz de punir,

Nenhum senso capaz de coibir,

Diante do incauto,

Cabeças rolarão,

Outros perderão a razão,

Sua presença é letal,

Sua sentença fatal,

Não adianta fugir,

A maldade é seu ideal.

Vera Celms

Um comentário:

  1. Vera:
    Passo por aqui para informar que o Tema do Mês de Outubro, no Duelos Literários, é Outono, vencedor da enquete da qual você participou.
    Valeu demais por todas as suas participações!
    Abração e ótima semana!

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