domingo, 31 de outubro de 2010

HALLOWEEN





HOJE É HALLOWEEN... UAHAHA!!!

EM CIMA DO PIANO


Queria por ora,

Correr do lado de fora,

Me afogar no copo,

Podia ser de água mesmo,

Desde que lá no fundo,

Houvesse um comprimido,

Que me fizesse relaxar,

Descansar,

Dormir,

E não mais acordar,


Vera Celms

domingo, 24 de outubro de 2010

NINGUEM


Idade pouca,

Motivos tantos,

Tantos rancores guardados,

Tanto passado represado,

Amarguras,

Vingança, por todos,

pela vida,

Nunca ninguém lhe fora justo,

Nem complacente,

Nem solidário,

Nem gente,

Corria, ele e o carro,

No meio da madrugada vazia,

Cabeça cheia,

Copo vazio,

Só um pensamento norteava sua direção,

Raiva, muita raiva,

Deus não lhe fora justo,

A vida não o viu passar,

Tanto, que entre uma puxada e outra,

Entrou por sob um caminhão,

Na contra mão,

Em altíssima velocidade,

E nem ele viu...

Vera Celms

domingo, 17 de outubro de 2010

TRAVESSEIRO INSONE


O medo das alturas

Vertigens,

Perdas rápidas de visão,

De consciência,

Brancos imediatos,

Repentinos e instantâneos

Sufoco, desassossego,

Sofreguidão,

Sonhos apavorantes,

Despertares assustadores,

Suores intensos,

Pavor, pânico,

Medo da escuridão,

Alucinações,

Visões horripilantes,

E o cheiro de sangue

Permanente nas narinas,

Como se o mundo sangrasse,

Permanentemente,

Constantemente,

Gritos ecoando na madrugada,

Uivos, miados monstruosos,

Latidos nervosos, raivosos,

Sombras,

Barulhos tão surdos,

Inexplicáveis,

Passos, seguidores na devastidão,

Nada explica melhor

A loucura de um suicida em potencial,

em morrer,

A esquizofrenia,

O medo incontrolável

Do que foge da morte,

Todos os dias,

A cada noite,

A cada sussurro da imaginação,

Perseguido pela culpa,

Muda, cega, do seu travesseiro insone...

Vera Celms

domingo, 10 de outubro de 2010

INCAUTO


Nasceu durante a tempestade,

No quarto de numero 13,

Não chorou,

Sem sustos,

Nenhum sobressalto,

Palavras mansas lhe doem,

Crueldade lhe dá prazer,

O sofrimento próximo,

A dor palpável,

A despedida dolorosa,

A distância de alguns olhares,

Os mais ternos,

Os mais frágeis,

Os mais suscetíveis,

Os trovões e raios da tempestade,

O fazem dormir,

Olhos acesos,

Na escuridão tenebrosa,

Nenhum prazer,

Nenhum conforto,

Nenhum calor,

Criança com ares tão cortantes,

Sombrancelhas retas,

Cenho endurecido,

Sorriso tão ausente,

Mãos fortes,

Firmes,

Incomuns,

Idade tão pouca,

Sem medos,

Mazelas tantas,

Crescerá este ser

Sem qualquer piedade,

Sem conhecer a solidariedade,

Sem moral,

Sem ética,

Com a ironia estampada no olhar,

E a inverdade como argumento,

Todos entenderão por despojamento,

Realidades sem rodeios,

Ditas de uma só vez,

Duras, insolentes,

Na ausência do focado,

Ou na cara do interessado,

Com um sorriso falso estampado,

Nenhum pudor,

Nenhum censor capaz de punir,

Nenhum senso capaz de coibir,

Diante do incauto,

Cabeças rolarão,

Outros perderão a razão,

Sua presença é letal,

Sua sentença fatal,

Não adianta fugir,

A maldade é seu ideal.

Vera Celms

terça-feira, 5 de outubro de 2010

EXTERMINIO

No asfalto molhado,

As folhas de jornal espalhadas,

Molhadas,

Grudadas,

Avermelhadas pelo sangue,

Os corpos semi cobertos,

Deixam aparecer o horror,

O terror, o medo,

O som dos tiros ainda freqüenta a cena,

Os fantasmas, os personagens,

Atravessam, passam, aterrorizam,

Aterrorizados, confusos,

Choro, desespero,

Cena de perdição,

Resultado de uma perseguição,

De um assunto mal resolvido,

De um acidente, um tiroteio,

Balas perdidas,

Mas estão lá os corpos,

Semi nus, semi cobertos,

Sem explicação,

Sem solução,

Sem um culpado,

Nenhum suspeito,

Um extermínio,

Um desígnio,

Tanta vida ceifada,

Jogada fora,

Tanta imagem guardada,

Tanta mágoa,

Tristeza,

Saudade,

Vingança...

Vera Celms