segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CHEIRO DE SANGUE




Não conseguia acreditar,

Mas agora era fato,

Difícil entender, aceitar,

Agora, teria de aprender,

A conviver com a sua ausência,

Quando cheguei em casa,

O cheiro era insuportável,

A cena era inaceitável,

Mas seu corpo estava lá,

Atirado ao chão,

Confundindo-se a poça de sangue,

Era tudo uma só massa,

Seu rosto, seu peito, seus braços,

Não os reconhecia mais,

Sabia que era você,

Seu corpo,

Ou o que dele restou,

Atirado ao chão,

Sem vida,

Paralisada, sem saber o que fazer,

Perdi os movimentos todos,

Perdi a reação,

Na sua mão uma arma,

Sangue por toda parte,

Denunciavam a sua resolução,

Tanto me disse que faria,

Jamais pude acreditar,

Imaginei que nunca tivesse coragem,

De me deixar,

De pintar esse quadro horrendo,

na sala da nossa casa,

Hoje, na minha memória,

Você não passa de uma placa vermelha,

Sem atitude, sem reação,

Escorrendo pelas paredes,

Pelas escadas, misturada a sabão,

Jamais pensei que pudesse fugir da vida,

dessa maneira,

Hoje, na minha memória,

Você não passa de uma lembrança,

Amarga, dolorosa e vazia,

Cheirando a sangue,

E na minha vida,

De uma imensa, enorme decepção...

Vera Celms

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