domingo, 1 de agosto de 2010

QUANDO OS SONS ROMPEM O SILÊNCIO


A noite, todos os gatos são pardos,

Todos os pardos são sombras,

Todas as sombras assustadoras,

Todos os sustos apavoram,

Pois na noite,

O silêncio reina abundante,

As sombras circulam a vontade,

E vê quem é de ver,

Sente, quem é de sentir,

Nada passa impune,

A menos que se faça ouvidos de mercador,

E olhos albinos sob sol,

É preciso não querer ver,

Não querer sentir,

E ainda assim, o arrepio da brisa fresca,

O calafrio de um aviso,

Sob noite escura,

É desolador,

Correntes arrastam-se pelas ruas,

Pelas casas escuras,

Pelas calçadas,

No peito um aperto,

Um pressentimento,

De que não adianta correr,

Nem muito menos ficar,

O que tiver de vir, virá,

O que tiver de acontecer, acontecerá,

Logo, se tiver fé pra rezar,

Reze, reze muito,

Peça aos anjos, ao céu uma prece,

Um facho de luz,

Uma intuição,

Uma saída estratégica,

Ou emergencial,

Um buraco onde possa se esconder,

Pois quando os sons rompem o silêncio,

É desesperador... é aterrador,

O que se vê na noite,

E a menos que nada veja,

Tudo pode acontecer...

Vera Celms


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