segunda-feira, 23 de agosto de 2010

INSANIDADE



Amplo ambiente

De cadeiras vazias,

Brancos pés direito infindáveis,

Nenhum quadro,

Nenhuma imagem,

Nenhuma mancha de uso,

nas paredes tão alvas,

Nenhum som ambiente,

Silêncio absoluto,

Da absoluta solidão

Não há janelas,

Não há ventilação,

O cheiro de morte toma o lugar,

O eco, ensurdecedor e tão longínquo,

Arrebatador,

Nada se move,

Somente um par de olhos esbugalhados,

De movimentos lentos e assustados,

Desconfiados,

Assustadores, nada fitam,

Tornozelos e tronco atados,

Por correias de couro,

De largas fivelas,

Braços cruzados,

que envolvem o próprio corpo,

Atados pela grossa e alva camisa,

Cujas mangas costuradas nas pontas,

Terminam em fitas

Que amarradas entre si, nas costas,

impedem qualquer movimento dos membros,

A cabeça também imobilizada

por outra correia de couro,

presa a prancha gelada por sobre a maca,

com largas fivelas que lhe marcam a fronte,

Ao lado da maca,

Uma mesinha de aço,

Onde repousa a bandeja de inox,

com alguns aparelhos cortantes,

uma seringa já usada,

e ao lado, a dura ameaça

de um aparelho de eletro choque,

Impossível permanecer impassível àquela cena,

Assustadora, apavorante,

Respiração difícil, espasmos involuntários,

Tremores e suores,

Nos olhos, talvez imagens desconexas,

Nenhum pensamento lógico,

Palidez,

Na face, o medo estampado,

Tudo tão involuntário, tão irracional,

Tanta solidão,

Tanto vazio,

Nenhuma atenção,

Nenhuma explicação,

Nada lógico,

Nada crível,

Nenhuma fé,

Nenhuma razão,

Nenhuma palavra,

E nada mais a fazer.

Vera Celms


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