segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CABEÇAS

Pouca gente sabe,

Outras tentariam ignorar,

Se ao menos, soubessem

Ou jamais fitariam com naturalidade,

Um manequim,

Fosse de que tipo fosse...


Reza a lenda,

que manequins de loja,

de ateliês, de escolas,

até de laboratórios,

ou de museus,

têm vida própria quando chega a noite,

Quando as luzes se apagam,

E as portas se fecham,

Enquanto as pessoas merecidamente descansam,

após um dia de trabalho...


Assim aconteceu certa vez,

Num laboratório do sono.

Havia, em andares diferentes,

A cabeça de um manequim masculino,

E em outro andar,

a cabeça de um manequim feminino,

usadas para mapeamento em aulas,


Certa noite os faxineiros desavisados,

Encontraram as duas cabeças,

A conversarem nas escadas,

Entre o décimo terceiro e o décimo quarto,


Uma se dizia infeliz,

O outro injustiçado,

E entre uma baforada e outra de cigarro,

Um procurava consolar o outro,

Ora inflamavam suas razões,


Eram assuntos desconexos,

De duas cabeças desconectadas,


Os faxineiros amedrontados,

Se recusavam a limpar as escadas,

Nas madrugadas assombradas,

Mas todos juram,

Que pela manhã,

Tudo voltava ao seu normal,

As cabeças voltavam a ser mapeadas,

Sem reclamar,


Reza a lenda, que naquele laboratório,

os mapas jamais foram exatos,

E os estagiários jamais aprenderam bem,


Afinal, em cabeças assombradas,

Nenhuma medida pode ser exata...


Vera Celms


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