domingo, 4 de julho de 2010

PRODUTO DO MAL



Marcas profundas,

duras, indisfarçáveis,

Chicoteada pela vida,

Pisoteada na contramão dos fatos,

Irreconhecível,

Duros golpes

Pagos com o próprio sangue,

Pagos com lágrimas,

agora de aço,

No olhar, a mesma impassividade,

A mesma insensibilidade

Inventada e recriada...

Remontada pelos acontecimentos

Na manga, como um trunfo,

uma lâmina afiada,

pronta a atacar,

Precisão, gravidade decorada,

aprendida ponto a ponto,

Crueldade, prontidão,

Nenhum pensamento sutil,

Nenhuma intenção de parar,

Uma máquina, programada,

Para ferir,

Decepar se preciso for,

Varrer do caminho,

Um tanque armado

e apontado contra a massa,

Certeza, disposição,

Nenhuma dúvida,

Ferir ou ferir,

Matar ou morrer,

Arma letal,

Ou somente uma indigente,

Criada pelas ruas,

Alimentada com veneno, diariamente,

De ódio, de revolta, de morte,

Preparada para atacar,

em sua própria defesa,

ou puro instinto assassino,

desolador, cruel,

Um bicho, selvagem, indomável,

Uma máquina assassina,

Um produto do mal,

Um ser humano esfolado,

encouraçado,

preparado pra tudo, por nada...

por tudo...

Vera Celms


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