domingo, 27 de junho de 2010

OLHOS FECHADOS


Fecho os olhos,

Pra não ver o vazio,

A espaço entre o sol e a lua,

A distância entre as paredes do meu quarto

E me lanço anonimamente

Num mundo desconhecido,

Que sonho todos os dias,

Não sei onde vou dar,

Nem onde, nem se vou sair,

Fecho os olhos e me atiro

No pouco escuro

No pouco silencio

Solidão habitada,

Por outros mundos,

Por tantos personagens

Que não conheço,

Que não vejo

Mas que tremem minhas pálpebras,

Como a um varal de sonhos,

Sons estridentes não me deixam ir longe,

Não me permitem ficar tanto tempo,

Vontade de ficar no infinito,

Acoplada por um único fio,

Aquele que não me desliga da realidade,

Flutuando, como no ventre,

Vontade de me lançar a eternidade

Mas, há tanto por fazer ainda...

Melhor ficar...

De olhos fechados.


Vera Celms


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