domingo, 4 de abril de 2010

PEDRA



Abri a porta e ele estava lá.

Magro, o rosto encovado,

Cabeludo e barbudo como um primata,

Não estava sujo,

Mas não estava bem cuidado,

Tentou sorrir,

Lhe faltava um dente,

Os óculos embaçados,

Pelo tempo ou pelo descuido,

As mãos trêmulas e maltratadas,

Parecia doente,

Bem doente,

Vi naquele olhar por sobre as lentes,

algo de familiar;

esquisito, mas familiar,

A mesma arrogância,

A mesma pouca flexibilidade,

A pouca crença na vida,

Não disse nada,

Faltou palavras,

Faltou coragem,

Faltou motivo,

Faltou presença,

Simplesmente virou-se e partiu,

Como quem veio, foi...

Não sei a que veio

Não sei porque foi...

Horas depois encontrei-o caído,

No caminho,

No meu caminho,

Como sempre foi...

Só que dessa vez era pra sempre...


Vera Celms


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