domingo, 7 de março de 2010

HOMEM-DO-SACO



Noite escura, como breu,

Olhei para o céu,

Nem a lua, nem estrelas,

Me senti sozinha

Como em noites de tempestade,

Quando ainda era menina,

E acordava assustada

E não adiantava chamar

Ninguém estava lá,

No fundo da minha solidão...

Andava olhando para os lados,

Com medo de sei lá o que,

Com medo do meu psiquê,

Com medo de lobisomem

De fantasma,

De homem mau...

Sim, tinha medo do homem mau,

Que quando era criança,

Chamavam de homem-do-saco

Era ladrão, era assassino,

Eram ébrios, andarilhos,

Alguns andavam de carrões,

Com doces aos montões,

E que roubavam crianças,

Colocavam dentro de um saco

E sumiam na noite escura...

Nunca me ocorrera pra onde levavam

Fico então me perguntando,

O que faziam com tanta criança roubada?

E os jornais hoje me respondem,

Vendem os órgãos,

Vendem para outras famílias,

Vendem, eles vendem crianças,

Mas não todos,

Nem todas as crianças...


Vera Celms



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