domingo, 14 de março de 2010

CRIATURA


A ALIDIA IVANOFF, “SUICIDA” AOS 76 ANOS


Te tenho ainda com ternura,

Tu, que sempre fora um lago de sossego,

Colo que em tantas vezes chorei,

Regaço que tantas vezes busquei,

Tu, que por toda vida foste vida,

Que em tantas amarguras,

te julguei perdida,

Pensei...

Poço de brandura,

Doce criatura,

Tantos anseios...

Que na fuga do abandono,

Buscaste vida,

Que na hora da solidão,

Fugiste da escuridão,

E hoje, com tanta vida vivida,

Entregaste a própria vida,

A força de tuas mãos,

Tu, criatura sofrida,

Não choraste,

E mais de uma vez provaste,

Que não vale tanta força,

Diante de um vilão.

Agora, te encontro fria,

Por sobre a pedra vazia

Declarando solidão,

Tu que não me vês mais, criatura,

Mostre pra mim a figura,

Entregue-me tua espada,

Passe-me a tua bravura,

Pra que eu possa lutar

Me deixe continuar,

Fazer a tua vontade,

Pagar a tua bondade

Por quem jamais lhe deu liberdade

Você, que no fim da jornada,

Não pode esperar a chamada,

e buscou o guardião,

Se ainda estiver por perto,

Deixo meu sonho aberto,

Para qualquer aviso ou decisão

Quero ser o anfitrião dos teus atos,

Quero dos teus desejos fatos,

Quero ser a tua mão

Só não lhe juro vingança,

Pois desta vida sou criança

Mas, se outra mão te levou embora,

Farei da minha uma espora,

E semearei desalento,

Lembrarei teu lamento,

Está é a minha esperança

Que de você trago de herança

E da tua ultima imagem

Meu olhar guardou selvagem,

a marca do sofrimento

Que no seu ultimo momento

Com flores disfarçada

Ainda ficou gravada,

Querida... como te amei...

Vá com Deus!!!


Vera Celms


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