domingo, 17 de janeiro de 2010

CORROSIVO


Um amor destrutivo,

Me entreguei,

Te amei,

Tanto, que esqueci de mim,

Pra pensar só em você,

Teve, pra mim, palavras tão duras,

Ásperas, grosseiras,

Ponteagudas e cortantes,

Acidas, corrosivas,

Fui tão sua que esqueci de ser minha mesmo

Me desesperei,

Achei que ia morrer,

Quis tantas vezes lancetar meu próprio peito,

Rasgar a fronte,

Pular da ponte,

Quis afogar comigo o que tinha em mim,

Pra que não sobrasse mais pra você,

Quis tomar remedios,

Quis tomar pileque,

Me embebedar gravemente,

Me esquecer,

Quis tomar veneno,

Dividir o formicida com o formigueiro

Mas nem isso tive coragem,

Achei uma bobagem,

Você conseguiu ser mais forte que tudo isso,

Você sobreviveu ao meu amor,

Ao meu horror,

Ao meu torpor,

Ao meu valor,

Se sobrepôs, saiu por cima,

E eu continuo aqui,

Completamente alheia,

Completamente alucinada,

Morrendo de saudade,

Com cicatrizes nos pulsos,

Com seqüelas dos impulsos,

Imaginando, como teria sido sem você,

E só consigo sentir sua falta,

Nada mais,

Você não está aqui,

Como nunca esteve...

Esqueci,

Quando te conheci,

De ver que por mim,

Sentira só entusiasmo...

Corrosivo...


Vera Celms


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