segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O ENCAPOTADO


Céu de chumbo,

Um amanhecer com o peso do mundo...

Cena de terror bravio,

Uns poucos pássaros apressados entrecortavam o espaço,

Como que tomados de surpresa,

Antecipando o regresso...

As folhas das arvores precipitavam a tempestade,

E o céu rugia a fumaça de um dragão,

Quem andava pelas ruas sabia do que fugir,

Quem não tinha urgência optava por não sair,

Passos rápidos, medo, assombro,

O tempo foi avançando e a ventania aumentando,

Papeis saiam do chão como pipas a voar...

A poeira já formava uma mascara no ar,

E as pessoas protegiam os olhos e a boca daquela nevoa...

Só que aquela situação estava durando demais...

Se alongava pelo tempo,

O relógio ia deixando o dia pra trás...

Meia hora, uma hora, hora e meia,

Meio dia... e a chuva que não caia...

O povo já aflito,

Evitava as ruas,

Todos olhavam pela janela,

Aquela loucura da natureza,

Era como se a qualquer momento do céu abrissem as comportas,

E o tempo foi correndo... passando e passando,

E o vento incessante tudo desarrumava,

A natureza já descabelada,

Vazias e sujas as calçadas,

As ruas, as casas ameaçadas,

Todo mundo apavorado,

Menos o encapotado,

Que andava pela rua com cara de turista apaixonado,

Olhando o céu, o alto dos prédios admirado,

Como quem estivesse vendo um monumento,

Sem se preocupar com o vento,

Seu capote negro voava,

E o homem tranqüilo caminhava,

Com as mãos nos bolsos, no próprio eixo girava,

Com um sorriso infantil, quase delirante,

Estranho esse ser andante...

De repente, um raio e um trovão...

E o homem que andava solto foi dragado por um tufão,

No instante seguinte, o sol abriu e o pesadelo passou,

De todos que assistiram àquilo, ninguém acreditou...

Vera Celms


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