quinta-feira, 12 de novembro de 2009

BLACKOUT



Perdida no escuro...

Andando pelas ruas,

Sinto o frio fio do perigo em cada esquina,

Olhos ameaçadores se formam

atrás de cada obstáculo a transpor,

Nem a lua hoje saiu para ajudar...

As nuvens encobrem qualquer segurança,

O susto espreita silencioso, manso,

Pareço estar vivendo um filme de suspense,

Onde o grito surgirá a qualquer momento,

Poucos veículos circulam,

E nesses, o medo viaja no carona,

Qualquer arbusto que se mova parece um vulto

Qualquer aroma diferente anuncia um inimigo

Nada tenho que se possa querer,

Talvez por isso tema pelo único real bem, a vida,

Saio solta pela escuridão,

Como no piloto automático,

Com medo de muito olhar,

Com medo de não olhar,

Neste momento, o País inteiro está escuro,

É espaço demais para que ao menos um reflexo alcance

E na escuridão, os espaços ainda parecem maiores,

Sinto o medo apertar minha garganta,

E o silencio zune atordoante aos meus ouvidos,

O equilíbrio me trai, quando noto andar cambaleante,

Será impressão?

Os sentidos parecem afetados,

E de repente, a escuridão se avoluma a minha frente,

E se transforma num gigante que tento ignorar

Sem sucesso,

Enquanto caminho incerta,

Ele me envolve e me fareja

chego a sentir sua respiração,

seu hálito, quente e sufocante

Suas mãos parecem me alcançar, sem me tocar,

Fazem com que pareça levitar,

Não sei quem é maior agora,

A pressa em fugir,

Ou o medo que me prende ao chão...

Sou agora um refém de mim mesma...

Sinto o suor gelado molhar meu corpo

E meus olhos parecem encobertos por uma mancha negra

Difícil já se torna respirar

Mensurar o quanto falta pra chegar

Mais um instante, e um vulto se aproxima,

Não sei mais se é real,

Ouço um sussurrar mudo,

Tento me convencer ser fruto da minha imaginação,

Mas está perto demais,

Não imagino o que pretende,

Um ladrão, um assassino, um zombeteiro?

Não sei o que fazer, nem o que dizer,

Já nem sinto mais tocar o chão,

Aquela figura tem uma energia muito forte,

Causa-me pavor,

Penso em gritar, mas não há ninguém ali além de nós dois,

Sinto o calor de suas mãos,

Tentando me bulinar,

É só imaginação, é só imaginação!!!

Quase chorando, continuo andando tomada de terror,

Não consigo ver seu rosto,

Só uma negra silueta...

E no momento seguinte,

Um cheiro estranho toma meus sentidos todos...

Deve ter sido o medo...

Foi o primeiro pensamento que tive,

Ao acordar na calçada...

Vera Celms


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