domingo, 6 de setembro de 2009

ESCURIDÃO



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A escuridão se aproxima,
Vem depressa com o vento,
Que uiva impiedoso
Pelas frestas, que de pequenas se ocultam
Em poucos instantes, estará aqui dentro
Sobre tudo, sobre mim
Sobre meu desassossego
Quando chega, a escuridão,
Vem como um amante excitado
Que abraça, e envolve,
E pega, e invade, e transpõe,
Ocupa todos os espaços,
Me faz surda, muda e cega,
E ligeiro passa e me atropela
No escuro, as paredes que medem 3x4, somem...
É como se eu ficasse plantada,
Sobre um penhasco, aberto para todos os lados,
No meio do nada,
Encolhida em mim mesma
Esperando o medo passar
E não passa.
Nada nos deixa mais solitários,
que nossos próprios medos...
Neste momento,
O medo sou eu.
Feito da mesma matéria da escuridão...
Que ameaça, com uma foice na mão
E faz de um gato um leão
Fazendo dos meus ‘ais’ um mantra, um refrão
Tal qual a tempestade
Que estrondosa bate
E lava, e carrega,
E inunda a razão
Como um pedaço de chão
Que se abre, em mais um penhasco
De um grande desfiladeiro...

Vera Celms
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