segunda-feira, 14 de setembro de 2009

CONCÍLIO DA FATALIDADE



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São surdos os ouvidos que por aqui passam,
Mas não cegos; tantos olhos, curiosos espiam
Levam consigo lembranças mudas,
Cenas sombrias, encharcadas,
Empapadas de barro e de sangue,
Resgatadas dos lamaçais,
Realocadas nos umbrais,
Grandes muralhas de pecados,
Cercadas de jornais,
Separam os mortais
Misturam os imorais
Misturam crenças,
Lunáticos,
Fanáticos,
Loucos e ingênuos,
Ouvidos surdos! ou seriam loucos,
Pois tantos são os gritos de socorro,
Os uivos, as lamentações,
Pedidos de clemência,
É tanta demência,
Ninguém acredita ser merecedor
É enlouquecedor,
Os que ficam, se encarregam dos escombros
Levam a culpa e a saudade sobre os ombros
Como uma cruz,
Que ao inferno conduz...
E deste destino só querem fugir,
E a vida reconstruir,
Àqueles levados pela morte,
Que não tiveram tanta sorte,
Na enxurrada, na enchente, no desmoronamento,
Esperam por clemência e oração,
Pra não passar no umbral pela escravidão,
No concilio da fatalidade...

Vera Celms
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