domingo, 12 de julho de 2009

AQUI JAZ, NINGUÉM...



-->
Ruas escuras,
Sombrias... assombradas,
Assombrosas,
Vadias ruas vazias,
Cobertas de nuvens e intenções ,
De vergões,
Das batidas dos ventos frios e violentos,
Das enxurradas,
Das enxadas,
Das roçadas, das roçassões,
Cobertas de hematomas,
Marcadas por zonas,
De meretrício popular,
De martírio secular,
Cheios de marcas de sangue,
De causas tantas,
De mortes francas
Violência estampada nas folhas,
Das árvores,
Dos jornais,
Dos obituários,
Das colunas sociais
Das paginas policiais,
Cheias, as ruas de marginais,
Os fios de pardais,
De pombas... de urubus...
De ratos transversais,
De insetos, nojentos,
De tantos insetos,
Moscas, baratas, varejeiras,
Mulheres carpideiras,
Nos velórios,
Nos sanatórios,
Nos sonhos transitórios,
Nas valas,
Na rua escura e sombria,
Mais um corpo...
Coberto de jornal,
Mais um enterro marginal,
Mais um indigente,
Sem nome, sem sobrenome,
Sem pai, sem mãe,
Sem amores, sem paixão,
Sem reza... jaz aqui mais um pagão...
Aqui jaz... NINGUÉM...
Vera Celms
Licença Creative Commons
AQUI JAZ, NINGUÉM... de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


Nenhum comentário:

Postar um comentário