domingo, 7 de junho de 2009

PÂNICO ( CAP. VII A XI)


VII

Engraçado como tudo parece acontecer durante meu sono, ou no despertar. Acordo bem, mas meus sensores parecem desligados. Fico introspecta apesar de me sentir bem.

As palavras parecem difíceis a cada contato. Sinto vontade de ficar sozinha, isolada até que as palavras voltem.

Chego a pensar que de tantas, impedem o caminho quando se acumulam e ficam todas as palavras ali, paradas, congestionadas e carregadas, aguardando algo que as empurre.

Seria bom se pudessemos nos recarregar. Nosso “sistema fica inoperante”, fica difícil a comunicação. As pessoas as vezes não entendem e acham que é antipatia, frescura, ou sei lá...

Sinceramente, quando fico assim nem tento, nem quero entender as pessoas. Levo meu dia como se nada estivesse acontecendo até que acabe e bem ou mal, sempre acaba. Se tivesse escolha, queria morrer dormindo.

VIII

Odeio quando as pessoas me tratam com indiferença. Faço tanta questão de tratar as pessoas com atenção e fico “mordida” quando falo com as pessoas que não me respondem ou o fazem com indiferença.

É estranho quando as pessoas te encontram num momento, te tratam calorosamente e no momento seguinte como um mero desconhecido.

Outro dia, durante meu período de almoço, encontrei alguns companheiros de trabalho na recepção da empresa e todos conversavam animadamente . Cheguei, como sempre chego, brincado, conversando e tudo foi muito legal. Saí para almoçar e quando voltei o mesmo grupo continuava reunido e mal frui percebida.

Me trataram com tanta indiferença que acabei saindo de perto completamente inconformada. Deixa

!!!

IX

Hoje acho que desmaiei. Andava na rua e puft... ao chão...

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas ao voltar do desmaio parecia que tinha passado uma eternidade e de repente, parece que eram somente instantes.

Estava leve, poderia flutuar, levitar, viajar. Nossa!!! que sensação maravilhosa, acho que vou desmaiar mais vezes...

Perder a consciência as vezes é bom. É como dormir .

Lembro-me da ultima vez que desmaiei. Foi em casa e acordei com uma bruta dor de cabeça. Parecia que o mundo havia entrado na minha cabeça. Acho que naquela vez não perdi a consciência, outra deve ter se fundido a minha, pois o peso era imenso, insuportável.

Por que será que desmaiamos? Será que é o plug que cai? Acho que durante meu sono devo desmaiar e acordar em outros lugares. Hoje quando voltei do desmaio, tinha lembranças de estar

em outro lugar e não ali onde acordei. Será que fui abduzida?

No mínimo, quando me ignoram, quando não me ouvem, ou fingem não me ouvir, devo estar vivendo um desmaio e as pessoas não me vêem. Será que tenho andado em outra dimensão?

As coisas parecem confusas, mas as vezes se explicam sozinhas.

Vou começar a beliscar as pessoas que me ignoram para saber se realmente não me vêem. E se eu estiver beliscando as pessoas que também vivem um desmaio? Elas sim vão gritar, ou reclamar, quem sabe até me bater. Será que sentiriam o beliscão?

Deixa para lá, se eu desmaiar de novo eu vejo.

X

Ouço vozes. Não somente as vozes que me rodeiam, mas várias vozes, parecem estar todas dentro da minha cabeça.

Os sons são tão fortes pra mim que chego a pensar que a cada veículo que passa na frente da minha casa serei chamada. Sempre acho que é alguém que chega me procurando.

As vezes estou sentada, prestando atenção em um filme e sempre tenho a impressão que se estiver com o volume baixo ouvirei melhor quando me chamarem e acabo me encontrando em pé na frente da janela e nunca é ninguém.

Também, porque ninguém vem me visitar? Estou tão sozinha!

Acham que estou doente, mas eu não acho.

Estou com a perna machucada, pois quando desmaiei machuquei o joelho e está difícil para levantar e olha eu aqui na frente da janela de novo... até meu filho ficou bravo, mas é inevitável.

Sentada no sofá ou lendo em meu quarto ouço barulhos pela casa que não consigo identificar. Será que os barulhos estão dentro da minha cabeça?

XI

Estou com medo de sair de casa. Acho que ando ruim da vista.

Vejo uma espécie de sombra, aliás, várias sombras, ou vultos e quando me viro, não é ninguém. Chego a ficar tonta, tamanha a movimentação que me rodeia.

A noite é ainda mais estranho, além dos vultos que costumo ver durante o dia, vejo também uns cachorros pretos sobre o asfalto da rua. Sempre estão nas ruas mais escuras. Vejo gatos pretos sobre as árvores, debaixo das escadas. Vejo olhos na escuridão como que me vigiando. É, acho mesmo que devo esta vendo coisas.

Evito sair principalmente a noite. Tenho medo. Sinto pessoas atrás de mim, como ameaça mesmo, como se fossem me atacar, me apunhalar pelas costas. Acelero o passo, olho para trás assustada e não vejo ninguém. Atualmente tenho andado depressa para ser menos observada.

Outro dia, me empurraram e eu caí e rolei a guia da calçada e não tenho sentido a minha perna e meu braço.

Tenho tentado falar com o pessoal em casa, mas eles só choram e nem me respondem. Que horror!!! não estou tão mal assim! Me sinto tão mal com toda esta situação...

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