domingo, 17 de maio de 2009

PÂNICO (CAP. I A III)



I

Acordei sobressaltada... atrasada de novo!!!

Meu Deus, de novo atrasada...

De repente um estalo. Estou desempregada.

Saí pela casa buscando algum referencial. Não sabia que dia era, nem se era manhã ou tarde. Esse horário de verão sempre me confunde mesmo.

Passei pelo quarto de meus filhos e os dois dormiam.

Meu Deus, não bastasse eu deprimida, os meninos também?

- Vamos filho acorde, vamos, todo mundo dormindo a uma hora dessas?

- Mas mãe!!!

- Vamos, levante, depois a noite ninguém dorme, fica todo mundo moscando pela casa até altas da madrugada, vamos!!!

- Mãe, que é que você tem? É sábado , seis e meia da manhã...

- Não filho, são seis e meia da tarde.

- Não mãe, são seis e meia da manhã. Vem cá...

Ligou a TV e me mostrou a programação do jornal que começa as seis horas da manhã.

- Viu mãe? Posso voltar a dormir agora?

- Pode filho...

Não totalmente convencida ainda, parei diante da janela, olhei demoradamente e tudo me mostrava realmente uma bela manhã de verão.

Meio como um moleque insatisfeito, saí “chutando pedras”, resmungando, xingando a mim mesmo. Voltei para cama. Demorei um pouco e adormeci. Acordei sobressaltada por um pesadelo terrível e não quis dormir mais.

Não era a primeira vez que isso acontecia, acordar assustada, completamente perdida e deslocada, sem nenhum referencial nem motivos para entender.

Da última vez cheguei a me arrumar e sair de casa para o trabalho, durante o caminho, todo o comércio sempre aberto nos outros dias, estava fechado, a vegetação molhada de orvalho...

- Gente! Que é isso? Nunca vi assim – conversava eu comigo mesmo.

Cheguei no trabalho e tudo fechado. A custo me convenci que era manhã e eu só trabalhava a tarde. Voltei para casa e tentei dormir sem sucesso, é claro!

II

Acordei transpirando muito. Não estava calor, nem tampouco frio, mas eu suava intensamente. As cobertas já estavam perdidas pela cama e meus sentidos pelo quarto, ou pela casa.

Um profundo vazio e um peso no peito como se tivesse engolido uma âncora.

Custei a me localizar no escuro. O interruptor da luz do outro lado do quarto. Meu abajour estava fora da tomada que estava sendo usada por outro aparelho. E agora? Onde está o interruptor, onde estavam os móveis, onde estava eu?

Levantei tateando o caminho tentando um reconhecimento, até que dei contra o espelho, pois onde imaginei ser uma porta, era um espelho e o susto foi inevitável. Fiquei mais confusa ainda.

Parei no meio do quarto como um andróide desligado e fiquei olhando até tomar coragem de me mover novamente.

De repente, fui na direção oposta, supondo ser a porta diante do espelho e dei de encontro a porta do armário que estava aberta e perdida em meu próprio quarto, desolada, me pus a chorar.

Depois de algum tempo consegui afinal ir ao banheiro. Dormi depois com a luz acesa e estranhei a situação ao acordar sem me lembrar do ocorrido de imediato.

III

Medo não tenho de quase nada, a exceção de alguns insetos, como barata e de ser ignorada, ou esquecida.

Entendo que a LEI DO RETORNO está aí para quem souber e quiser entender e respeitar. Eu sempre fui, ou sempre julguei ser gente boa. Tudo bem que seja a minha opinião, mas conta...

O mundo do bem não admite ficar em cima do muro. Ou você faz o bem, ou não basta não fazer o mal, não existe neutralidade.

Confesso que jamais fui chegada a ações solidárias, a comprar a briga de ninguém, nem distribuir sopão na madrugada. Sempre me meti muito com a minha vida, tanto que sou adepta a que Deus deu uma vida para cada um e que por isso cada um deve cuidar da sua. Ajudo se alguém me pedir, mas não sou esforçada nesse sentido. O mundo do bem é muito mais do que eu faço ou procuro fazer, é dar a mão a quem precisa sem ter de pedir, é fazer o bem sem olhar a quem e esta “propriedade” não tenho desenvolvida.



Vera Celms ...continua

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