domingo, 19 de abril de 2009

AV.MACEDO, S/N


Ela sempre fazia o mesmo caminho. Por mais que todos dissessem ser perigoso, ela não se convencia e continuava o percurso como se fosse o único caminho.

Suzana sempre foi muito despreocupada. Valente, inconseqüente, enfim, seja lá qual o nome que se dê a Suzana, sempre será “negociável”.

Saía do serviço sempre as 20 horas e ficava de conversa com o pessoal do escritório, ou ia na casa de uma amiga, ou ficava bebendo pelos barzinhos, cinema, enfim, tudo que não a levasse para casa cedo.

Sempre foi assim. Durante estes cinco anos de trabalho foi sempre assim. Antes disso, quando só estudava, era a noite, brigava com o pai, com a faculdade com o céu e o inimigo dele se preciso e sempre conseguiu estudar a noite.

Em casa todos brincavam com ela chamando-a de “Vampira” por tanto gostar da noite.

Suzana brincava que era a reencarnação de um soldado medieval e que sua armadura a protegeria, e que sua espada a defenderia, e o seu escudo era o seu Orixá.

Mas, como nem tudo na vida é brincadeira. Suzana, por aquele caminho, apesar de mais curto tinha de passar obrigatoriamente pela Av.Macedo, ladeada pela Favela do Bicão em toda sua extensão e do outro lado pelo Ferro Velho do Macedo. Lugar sombrio e tenebroso.

Mas, Suzana nunca se preocupou com aquela lúgubre paisagem e seu carrinho já tão velhinho nunca a deixou na mão e aliás, medo é só para quem tem.

No entanto, Suzana voltava para casa quando no meio do asfalto viu um corpo caído. Assustada, diminuiu a velocidade mas não parou. Olhou pelo retrovisor e nada viu.

Chegou em casa naquela noite como um fantasma, pálida, gelada e mal conseguiu dormir. Claro, atribuiu ao álcool ingerido e prometeu não mais beber tanto.

Algumas noites depois, esquecido o ocorrido, tornou a beber, tanto ou mais do que naquela noite e nada viu, porém, deslizou na pista molhada e acabou batendo na cerca do Ferro Velho.

Algumas noites depois, logo que passara a rotatória de entrada no bairro, um vulto cruzou a frente de seu carro, de forma tão rápida que não chegou a ver bem, inicialmente pensou ser um cachorro, o que descartou logo em seguida, o vulto era muito grande para ser um cachorro, era gente mesmo. Olhou em volta e novamente nada viu.

Aquela que era conhecida como valente, já começava a demonstrar sinais de preocupação. Seriam visões?

Foi para casa, assustada, tomou um banho, preparou um chá quente, um banho quente, tomou um analgésico e deitou. Durante a noite teve um sonho horrendo.

Naquele Ferro Velho havia um corpo enrolado em um tapete todo ensangüentado. No sonho o corpo pedia ajuda, aquele rolo se mexia incessante e desesperado, gemidos horríveis saiam daquele “embrulho” e Suzana inquieta se mexia sem parar e suava intensamente. Acordou chorando como se o corpo estivesse ao seu lado.

Inconformada com a realidade que aquele sonho passava, Suzana, no dia seguinte saiu a pé tentando ver algum volume parecido com o que havia visto em sonhos e após hora e meia de andança sem nada ver voltou para casa desolada e preocupada.

Na noite seguinte voltou a sonhar com a mesma cena e da mesma forma acordou chorando e gritando pedia ajuda ao seu pai.

Seu pai a aconselhou a não mais voltar tarde da noite sozinha e outros procedimentos com os quais não concordava, porém, Suzana não ouvia ou fingia não ouvir.

No dia seguinte, como se nada tivesse havido, tornou a voltar tarde novamente e de longe via uma estranha movimentação na estrada e em tempo desviou o caminho.

Chegou em casa rápido e nada comentou com seu pai e nem com ninguém. Foi para seu quarto rápido antes que sua mãe acordasse e seu pai notasse que ela chegara tarde de novo.

Na manhã seguinte levantou para o serviço como se nada tivesse havido naquela noite e rápido se arrumou e foi para o trabalho sem cruzar com ninguém. Afinal tinha tido uma boa noite de sono, depois de muito tempo.

Chegou no trabalho e estranhou que o pessoal chorava, estranhamente, todos falavam baixo e aos poucos começaram a sair mais cedo deixando o local praticamente vazio.

O telefone tocou Marina atendeu, sem lhe dar atenção e chorava. Logo em seguida saiu e ela acabou ficando sozinha ali sem nada entender.

Na hora do almoço notou uma movimentação diferente na frente do escritório e resolveu se aproximar.

Para sua surpresa, seu pai estava ali conversando com suas amigas. O ambiente era soturno, o clima que rolava ali era depressivo. Aproximou-se devagar tentando ouvir o que falavam e pode ouvir ainda seu pai informando detalhes de um acidente horrível acontecido na noite anterior na Av.Macedo, bem perto de onde havia aquela movimentação na noite anterior.

Seu pai não conversava com ela, assim como os outros no escritório.

Suzana começou a ficar mais e mais preocupada. Pegou o celular e ligou para seu pai que não a ouviu.

Porque todo mundo a ignorava naquele momento? será que seu pai havia falado para todo mundo o quanto o desagradava sua conduta? Não era justo que todos a punissem por chegar tarde em casa.

Resolveu voltar para o escritório e trabalhar, afinal era a única coisa que podia fazer. Quando retornou a empresa encontrou-a fechada e na porta um aviso.

“Suzana Parties, agradeceria a sua última visita se aqui estivesse. Velório na Capela do Cemitério São João Batista. Enterro as 17 horas do dia 24/06/2007. A família consternada agradece desde já sua presença.”

Meu Deus,é amanhã! Meu aniversário...


Vera Celms


Um comentário:

  1. OSVALDO MORAES GRANDE19 de junho de 2009 19:32

    AK FOI UMA VISITA BEM RAPIDA POIS MORRO DE MEDO.!!!! AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.

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