segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

ESTAMOS MORTOS





Morreram todos
Quem há de ser agora, dono da historia?
O fiel depositário das lembranças?
O detentor da verdade?
Façamos assim: cada um cuida de fazer da sua parte, o todo
Serão dois universos
Serão duas faces, não necessariamente opostas,
nem complementares
Incontestáveis no que contém
Não espio tuas verdades
Não deixo vazar as minhas
Seguimos em mundos paralelos
Sem necessárias referencias
Sem divergências
Sem pontos de tangencia
Nem congruências
Melhor nos acreditarmos mortos...

Vera Celms
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ÀS AVESSAS






Acordei com as lágrimas
querendo explodir meus olhos,
Sentia como se minhas faces inchassem
Como se meus sentidos se questionassem
E minhas certezas me abandonassem
Era um choro pequeno,
Daqueles que não valem a pena
Mas, era tanta pressão!
Tinha um quê de magoa,
Um quê de raiva,
Um quê de decepção
Ofendida
Arrependida
Ressentida
Xingava qualquer coisa
Praguejava qualquer praga
Eu odiava
Como eu odiava!
Confusa, desorientada,
Perdida, desnorteada,
Desamparada e só,
ou só desamparada?
Pensei em fugir, sem ânimo,
Pensei em ficar, sem motivos,
Queria vingança, sem vítima
Queria morrer, sem vida...

Vera Celms
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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CEDO DEMAIS PRA TANTO LUTO






Aprendi o que era um velório, com meu avô
Cedo demais para tanto luto
Tempo demais para tanta saudade
Aos oito anos me preparava então,  pra toda a vida
Fazer planos para o ano que vem, a cada ano
Mesmo quando não se sabe se haverá amanhã
E é assim sempre, a cada dia, todos os dias
sabendo sorrir
Mesmo sem motivos
Mesmo sem justificativas
Mesmo sem perceber
Aprendi com meu avô
Que é assim que se constroem incríveis ‘anos que vem’
Futuros promissores
Promessas confiáveis
Criveis finais felizes
Epílogos geniais
Desde que o enredo não mude
Senão, volto  aos oito anos
Quando era cedo demais para tanto luto
E tempo demais pra tanta saudade
Só que, podendo agora, a tudo entender

Vera Celms

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

MORADA DO MEDO





Morava o perigo atrás da porta
Anoitecia fechada,
Amanhecia fechada
Jamais a porta se abria
Morava o perigo atrás da porta
Anos de solidão
Momentos de desespero
Medo ao pé de mim
Olhares em soslaio
Cerrados lábios
E o perigo detrás da porta,
Oblíquos cenários pintados
Ameaças, prontidão,
Criei vultos, cavei penhascos,
Facas, porretes, fios eletrificados,
Baratas, cobras, aranhas,
Depositei letais venenos sobre pianos,
Amarrei cordas nas vigas do telhado
Vigiei, espiei, fiz tocaia; ... não peguei...
Aprendi a conviver com o perigo;
...detrás da porta...
Jurei amarrar, amordaçar, imobilizar,
desarmar, decifrar, entender,
Jurei vingança, justiça,
E nada mudou,
Continuou morando o perigo atrás da porta,
Jamais vi seu rosto, ou senti seu cheiro,
Não soube de sua voz,
Jamais soube do que fosse capaz,
E o medo ao pé de mim,
A vida toda...
A porta permanece fechada.

Vera Celms
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