quinta-feira, 4 de maio de 2017

O CONVIVA






Trago comigo
Cravada em algum lugar do fígado,
do estomago, ou da alma
uma maçã em decomposição
Amarga fruta,
que ao invés de minguar, cresce
Pútrida, fétida, corrosiva
Acionada pela lembrança
Botão involuntário,
Faz-me arder o pensamento,
através de lembranças não escolhidas
Veem, impõem-se drástica e veementemente
ficam, como vermes a devorar-me a sanidade
Uma espécie de ódio, de marra, de lástima
Situações impostas pela vida - ou pelo fim dela
Figura tóxica que não posso deletar
A quem tudo faria para que fosse feliz, estivesse bem,
exceto conviver
Vem então a vida – ou o fim dela – e desembarca-me o conviva
E a fruta em decomposição se instala livre
Há momentos em que não me deixa dormir,
Em outros, não me deixa respirar
Até quando não sei, ou até quando tiver de ser...
A fé, não pode resolver, no máximo explicar,
E eu, nem entender...

VERA CELMS
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O CONVIVA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

domingo, 28 de agosto de 2016

FOI-SE O RISO





Antigamente era jovem
Muito antigamente era feliz
Sorria escancarado,
Sorria até encarcerado, subjugado, humilhado,
Era um riso tímido, sem jeito, sem saída
Um quê de pureza,
Brio dos honestos, castos, limpos
Alma, aura transparente puxada ao lilás
Tenro olhar, a  emprestar brilho a vida
Abraço franco, pisar decidido e reto,
No entanto, depois de tantos desencantos,
apesar de tudo: viveu
Foi provado, provocado, burlado, sacaneado,
Tombou, levantou e foi derrubado
Preso, torturado, amordaçado,
Corrompido, mau julgado, sentenciado
Perdeu graça a vida,
Perdeu todos os abraços,
O andar cambaleou
A verdade lhe faltou aos olhos,
que já não tinha mais brilho pra emprestar a vida
Alma embaçada, aura corrompida e alquebrada,
Riso agora, nem ensaiado, talvez arrancado
Endurecido, empedernido, não sabe mais
O que antes era frouxo, um tanto alvar,
agora, tá mais para um grasnar
Rompe-lhe o silencio, vinca-lhe as faces e duro, some
O que era satisfação, agora dói,
Nem lágrimas lhe veem aos olhos,
parados no nada, no longe, em lugar nenhum...

Vera Celms
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quinta-feira, 9 de junho de 2016

IMPERDOADA





Não quero andar pela vida, deixando para trás maus caminhos
Protagonista da escuridão
Não preciso sentir o calor das suas lagrimas nas mãos,
para saber-te vivo...
Sei dos descaminhos
Sei do mal causado
Orgulho, soberba, desamor
Pouco importa o nome
Importa o estrago
Notado somente porque os cães ladraram
Sem retorno, sem consolo, sem perdão

Vera Celms
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